Walk With Me

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De predador a presa

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Ao quarto episódio da terceira temporada de House of Cards há uma ideia que começa a sedimentar-se: as coisas aconteceram depressa demais. As coisas, isto é, a chegada de Frank Underwood à Casa Branca. Vemo-lo agora como presa, e é pena: como as duas primeiras temporadas mostraram, a Underwood fica melhor a pele de predador. Talvez Beau Willimon tenha ido com demasiada sede ao pote. Teria sido mais interessante ter passado mais tempo com Underwood ao ataque na sombra, em vez de à defesa no altar, pronto para o sacrifício. A sua imoralidade tinha no objectivo último de chegar à presidência uma obsessão que a justificava; não a absolvia, mas dava-lhe sentido. Agora, na Sala Oval, vemos Frank Underwood obrigado a fazer policy em vez de politics, e isso não acontece sem um certo sentimento de desconforto mútuo (dele e nosso). Pode ser que as coisas continuem a correr especialmente mal no resto da temporada ao ponto de devolver Underwood à sua condição natural de caçador do poder, mas nem a emergência eminente de novos carnívoros - o partido (the leadership), Doug Stamper, ou, sobretudo, Claire - salva este sentimento de oportunidade perdida.

Lourenço Cordeiro