O episódioinaugural de Better Call Saul (AMC) deixou-me satisfeita; e eu, que andei durante meses a antecipar um desastre, qual oráculo da desgraça, não sei quem ou o que culpar. Talvez este encolher de ombros resignado seja o fruto da feliz combinação de vários fatores: as minhas baixas expectativas; a emoção de rever Mike Ehrmantraut (Jonathan Banks) e, claro, o próprio Saul Goodman/Jimmy McGill (Bob Odenkirk), mais a viagem ao seu presente monocromático, óculos iguais aos do meu pai circa 1987 e um fantástico pornstache; a (aparente) ausência de incongruências no casting - ou Gus: O Chileno Que Não Sabia Falar Espanhol. Uma série de pormenores que não me irritaram e um final de episódio a prometer fita adesiva e dunas. Fixe - por enquanto. Eu estarei aqui, a aguardar ansiosamente a escorregadela de Gilligan e amigos. É que estou mesmo convencida de que o bate-cu se resume a uma questão de tempo.
Inês Costa