Walk With Me

I don’t just watch TV all day long. I also listen.

Agora Escolha

image

A primeira versão (e a bem dizer a única memorável) do programa que dá título a esta borra de texto durou 8 anos sempre ali a incentivar a nossa capacidade de escolha (a mim não, que eu gostava era dos desenhos animados), pela mão da Vera Roquette (googlei e descobri que tem-se dedicado à escrita de livros infantis). A verdade é que este programa (e outros, muitos deles do Herman) fazem-nos logo navegar em memórias boas, ligadas a este aparelhinho que muitos de nós ainda começámos a ver a preto e branco. Como não me consigo lembrar sequer do jantei ontem, não sou daquelas pessoas que saltam com uma citação do Herman, os desenhos animados que tanto gostava no Agora Escolha, nem sequer dos programas para votação (também fui ver, e no primeiro programa, a malta escolheu um episódio do “Espaço: 1999” frente à peça “La Sylphide” da Companhia Nacional de Bailado, o que só, pelo facto de lá estar, mostra que estamos a anos luz de como se pensava a têbê naquela altura).

Mesmo sendo dessa geração que ainda guarda referências, my point é que não vemos televisão como antes. E não digo isto porque agora temos 293293 canais, porque, como todos sabemos, esses 293293 só dão cócó. Aliás, acho sempre engraçado que hoje em dia se comprem os maiores e mais espectaculares lcd/3d/imax aparelhos de sempre, quando 70 por cento (e isto é optimista) dos conteúdos que vemos por dia é num ecrã de computador ou em tablets e telefones que são grandes como o raio para fazer uma simples chamada, mas são muito pequeninos (de dimensão miopia mesmo) para lá ver um vídeo do YouTube, quanto mais episódios inteiros ou filmes. Aliás, hoje, programas são coisas que temos de instalar no computador e o que vemos passaram a ser conteúdos. E mesmo nas nossas tvs espectaculares, também consumimos muita coisa de qualidade (da forma, não do conteúdo) menos boa. Eu falo do meu exemplo. A minha tv é fininha e LCD e qualidade razoável, e é claro que me preocupei com isso tudo na hora da compra, mas o que eu queria mesmo saber é se ela tinha uma entrada USB para eu enfiar lá todas as coisas boas que surripio do outro lado do Atlântico diariamente e nem sempre o fruto do furto vem com qualidade boazinha (além disso, hello, é um USB, não há milagres). “Ah eu preciso de uma tv grandes para ver as veias da testa da Julia Roberts em Blu-Ray”. Boa. Mas eu hoje não tenho o episódio do Breaking Bad que deu ontem nos States em Blu-Ray pois não? Claro que há qualidade para todos os gostos no reino da pirataria, mas eu já me estou a perder neste palavreado técnico. E a verdade é que até acho que a minha tv é pequenina, sobretudo quando estou a ver a bola.

E vou por aqui, porque futebol é das poucas coisas que aproveitamos da oferta exagerada de canais que temos hoje em dia (aliás, eu pago para ter ainda mais estes canais de bola). Agora, porque a vida virou para aí, também usamos muito dos canais infantis, mesmo assim, a pequena criatura já pede muitas vezes o que eu fui juntando numa pasta de coisas para a pequenada que já tem vários gigas (são 19). Junte-se a estes os blocos de notícias, os programas made in Canada e EUA sobre entrepeneurs da SIC Radical e o MasterChef Australiano, e é todo o nosso consumo de tv. Às vezes, o zapping (do qual continuo adepta, por causa daquela esperança vã que aparece e desaparece em menos de um segundo em cada mudança de canal) leva-me ao Canal 180, que está muito bem feito. Mas continuo uma fiel adepta do aparelho televisão. Do meu sofá. Da conjugação dos dois. Essa coisa de ver filmes e séries online no computador (mesmo na tv, e se o router faz buum mesmo antes dos cinco minutos finais do How to Get Away With Murder?), é algo que compreendo, até aprovo, mas não quero, muito obrigada.

(nos antros de pirataria não havia Agora Escolha para roubar, mas o Tubo deu-me logo este intervalo da RTP em 1986, que é, como os outros diziam, um belo tesourinho. Especialmente, o totoloto com rochedos ao fundo e música palaciana)

Tristany